sexta-feira, 31 de maio de 2013

In

A vida, as todas são frágeis demais.
O mundo poderia correr contra isso. Ao menos meu mundo, voa.
Quando menor era, quando a vida menos me calejava, quando eu menos deixava... Suspirava por relembrar o primeiro pulo alto do mesmo cachorro que lambia minhas lágrimas, enquanto sentada no chão frio no canto do banheiro branco e azul, abraçava meus joelhos. Os mesmos que já um pouco escassos ainda me amparam. Suspirava por estar chovendo demais e o barro do parque, naquela tarde não pudera adentrar entre os vãos do meu All Star rosa chiclete. Até o dia que parei de temer chuva, parei de temer barro. No mesmo banheiro branco e azul, o vapor não deixara mamãe ouvir perfeitamente: FUI! Corri, corri, corri como se mais nada pudesse me parar. Nada me parava, ao menos naquela tarde. Desci as escadas e entre escorregões cheguei à chuva que molhara todos os fios de meu cabelo negro, escorrido escorrendo. Olhando para a imensidão do céu, já ardidos pela água que se misturara calmamente com o salgado das mesmas lágrimas. Joelhos esticados, braços abertos rodopiava, nunca parava. Aquele temporal me interpolou.
Experimente. Arrisque. Contente, não se contente.
Zangue, alivie a mente.
Aplique.
Vamos lá, experimente.
Evite olheiras, não esquente.
Meça. Desculpe-se.
Haja, aja!
Sejamos passageiros dessa vida.
Cresci. É, isso aí. Isso de fazer os ouvidos sentirem, de fazer a pele arrepiar. De querer sempre mais. Queira. Que bonito é alcançar - até a manga alta demais e vermelhinha que te mata de vontade -.
Deixe a bondade invadir teus poros todos, a alegria, a maresia.
Se o mesmo mundo que te quer, ainda duro demais, amoleça-se. Derreta-se. Queira-se.
Se pessoas todas não te amarem como deseja ser amada, ame-se. Uai, quem pode mais que você? Assim, cru. Você por você mesmo.
Deixe a pureza da tua raça invadir, transplantar, implantar. Forte, rígido. A guerra é única e imutável.
Alegria, aqui, acolá.
Aquilo, de sentir com os ouvidos. As músicas todas que te fazem flutuar. Coloque-as no ultimo volume e faça. Faça ela penetrar e ser, dance. Sorria. Mostre teus dentes, range-os de fé.
Ah, que leve é viver. Aflições todas pra lá, problemas insolúveis não existem. Parta. Parta para a próxima, haverá uma próxima, garanto. Seremos sempre jovens demais para que algo possa nos afrontar de frente. Só quem pode somos nós, nos encarar e afirmar nossa capacidade.
Pra que livros de auto-ajuda? Leia um romance. Desses que dilaceram nossa mente, afogue tua insegurança nele e feche, mude a página, vire, revire. Re-vire. Re-viva. Re-leia. Re-seja. Reaja!
Deixe nunca de ser criança. Ria sozinho, fale consigo. Consigo! Consignemos.

Sem parar. A(l)me-se.