quarta-feira, 6 de março de 2013

A(mar)

Deveria ser como poço. As vezes funda demais, as vezes rasa. Vez ou outra vazia, transbordo.
Como alguém pode em um dia tirar tudo de mais belo que têm aqui nesse poço, aí nesse poço, e ir embora? Assim, embora. Como se não houvesse profundidade. Como se fossemos sempre secos.
Têm dias que não acredito em como as coisas caminham, e não penso, apenas vivo.
Não é assim que se vive? Deixando o tempo curar? Pois bem.
Vez ou essa, me pego lembrando de pequenos detalhes, desses que só vimos por estarmos com o olhar fixo e a mente longe.
Explique para mim, assim. Como podemos nos encantar e acreditar que algo possa nos completar? Podem? Ué...
Amar. Ah, mar! Último domingo Iemanjá veio conversar comigo, meio desatinada, sem levar nada de mim, disse que é, assim. Tudo que é doce demais, acompanham nossas lágrimas para salgar.
Zeus nos fez assim, querendo que encontremos a metade da alma.
Quero entender, explica pra mim.
Como um sorriso, o jeito de olhar, o carinho que o cheiro faz em nosso olfato, pode ter tanto poder sob nós? Não sei se é justo.
Que seja assim, sereno, por todo o sempre.
Toda a minha vida pautada em amores que tive ou gostaria de ter.
Veio, cruzou minha vida, tocou minha alma e ficou marcado em minha pele.
Todos nós carregamos conosco uma história, aquela que só nos atrevemos a lembrar quando a noite, no escuro, encostamos nossas cabeças nos travesseiros e o silêncio cala fundo. Não importam os anos, certas coisas simplesmente permanecem.
E em uma madrugada quente de uma quarta-feira qualquer, percebemos que talvez alguns estopins sejam a referencia mais sincera e profunda. Não é doença e nem obsessão. Aliás, não é nada, só amor.
Que alma consegue atravessar a vida sem ter conhecido o amor, e quem sabe ter a sorte de ser correspondido?
Que vida vale a pena sem amor?
Nenhum sentimento é mais lindo, profundo e transformador que o amor.
Só amor transcende e purifica, enlouquece e cura, invade e permanece, liberta e aprisiona. Quando acontece, é um som grave que invade, penetra e permanece.
Não compliquem, nem elaborem. Permita que ele chegue e se instale, porque o resto são bobagens meninas, bobagens.