segunda-feira, 23 de setembro de 2013

Aja

Não quero nunca mais nessa vida ter que não ser só sentimento.
Assim, puro. Se quero, vou. Se fui, ganhei. Se ganhei, me tome. Se tomou, me alegre. Se alegre, cante. Se canta, sambo. Se samba, pureza.
Existe necessidade de metades? Quero ser inteira. Quero dizer, agradar, beijar, abraçar, soar, suar. Ser. Assim, sem metades. Porque no final, o que te sobra é você. Só você. Não importa o que digam, o que pensam... O que importa é aí dentro, o que tem aí e só você sabe e sente.
Deixe que digam, que pensem, que falem. Quando você for metade, vai lamentar por poder ter sido inteira. E amor... Lamentar? Pra que? Essa vida ta aí inteira pra ti, te querendo, te chamando.
Se sou pele, se sou amor. Paz. Sou sim. Puro sentimento. Até tento me fazer seca, mas só de olhar, já derreto.
Derreto com meus olhos sob os seus. E sabe a melhor parte? É que estou disposta à isso e conto numa mão quem realmente quer me ver feliz, tem orgulho de quem sou sem premeditar.
Tenho orgulho do que tem dentro de mim, e por mais sozinha que esteja nessa noite, outras mil, milhões, virão me contemplar, nem que seja apenas eu, a Lua e todas as energias boas que me tomam, porque tenho a sorte de ser a luz que mais brilha, nesse lugar.
Grata e orgulhosa de quem tem coragem.
Que haja coragem! Coragem de ser quem é, passar por cima de tudo e qualquer coisa, nem que seja só por uma noite... A memória agradece.

"Eu francamente já não quero nem saber, de quem não vai porque tem medo de sofrer."

Vai! Vem! Aja.

Seja leve. Deixa... Menos, pra ser mais.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Sol(in)dão.

Existem tantas palavras dentro de mim.
Coração.
Esse coração que tenho... Ah, esse meu coração.... Não vou dizer que a culpa é sua, querido, a culpa é das palavras.
Dessas palavras que preferem ficar em silêncio por hora. Em outra escapam e dizem mais.
Seu coração... Ouça com ele. Minhas palavras se transpõem assim. Ouça com ele.
Na dúvida, viva. Na dúvida bata, morda, corra, agarre, grite, transpareça.
Transparência.
Seja. Porque amor... Se tu for, há de haver. A ver, haja. Têm. Tenha, existe, compareça, bata, rebata, sorria...
Sorrisos.
Inteiros.
Gargalhadas.
Dizem que sou só sorriso... Ah! Se soubessem o que se passa aqui, não falariam nada.
Nade. Me deixem ir. Olhem menos pro meu corpo, vejam minha alma. Olhem com coração.
O sexual, a pele. Ah...
Há de haver. De acordo com a língua, essa que diz... A sua me toma, me desce goela abaixo.
Mistério. Sobre ser.
Ser. Tudo que interliga.
Inter, in, sob, on. Ligue-se. Conecte-se. Seja.
No final, tudo passa.

Sobre sentir falta...


Eu sambaria o mundo, só pra encontrar você.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

In

A vida, as todas são frágeis demais.
O mundo poderia correr contra isso. Ao menos meu mundo, voa.
Quando menor era, quando a vida menos me calejava, quando eu menos deixava... Suspirava por relembrar o primeiro pulo alto do mesmo cachorro que lambia minhas lágrimas, enquanto sentada no chão frio no canto do banheiro branco e azul, abraçava meus joelhos. Os mesmos que já um pouco escassos ainda me amparam. Suspirava por estar chovendo demais e o barro do parque, naquela tarde não pudera adentrar entre os vãos do meu All Star rosa chiclete. Até o dia que parei de temer chuva, parei de temer barro. No mesmo banheiro branco e azul, o vapor não deixara mamãe ouvir perfeitamente: FUI! Corri, corri, corri como se mais nada pudesse me parar. Nada me parava, ao menos naquela tarde. Desci as escadas e entre escorregões cheguei à chuva que molhara todos os fios de meu cabelo negro, escorrido escorrendo. Olhando para a imensidão do céu, já ardidos pela água que se misturara calmamente com o salgado das mesmas lágrimas. Joelhos esticados, braços abertos rodopiava, nunca parava. Aquele temporal me interpolou.
Experimente. Arrisque. Contente, não se contente.
Zangue, alivie a mente.
Aplique.
Vamos lá, experimente.
Evite olheiras, não esquente.
Meça. Desculpe-se.
Haja, aja!
Sejamos passageiros dessa vida.
Cresci. É, isso aí. Isso de fazer os ouvidos sentirem, de fazer a pele arrepiar. De querer sempre mais. Queira. Que bonito é alcançar - até a manga alta demais e vermelhinha que te mata de vontade -.
Deixe a bondade invadir teus poros todos, a alegria, a maresia.
Se o mesmo mundo que te quer, ainda duro demais, amoleça-se. Derreta-se. Queira-se.
Se pessoas todas não te amarem como deseja ser amada, ame-se. Uai, quem pode mais que você? Assim, cru. Você por você mesmo.
Deixe a pureza da tua raça invadir, transplantar, implantar. Forte, rígido. A guerra é única e imutável.
Alegria, aqui, acolá.
Aquilo, de sentir com os ouvidos. As músicas todas que te fazem flutuar. Coloque-as no ultimo volume e faça. Faça ela penetrar e ser, dance. Sorria. Mostre teus dentes, range-os de fé.
Ah, que leve é viver. Aflições todas pra lá, problemas insolúveis não existem. Parta. Parta para a próxima, haverá uma próxima, garanto. Seremos sempre jovens demais para que algo possa nos afrontar de frente. Só quem pode somos nós, nos encarar e afirmar nossa capacidade.
Pra que livros de auto-ajuda? Leia um romance. Desses que dilaceram nossa mente, afogue tua insegurança nele e feche, mude a página, vire, revire. Re-vire. Re-viva. Re-leia. Re-seja. Reaja!
Deixe nunca de ser criança. Ria sozinho, fale consigo. Consigo! Consignemos.

Sem parar. A(l)me-se.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Lalaia


Me deixa voltar pro Pelourinho que o calor de lá me aquece mais. Mais, muito mais. Quero sempre poder esse mais, esse além. Quero ir pra onde o vento leve meu corpo. Cada vez mais longe, cada vez mais forte. Quero ir. Me deixe ir. Não deixe que meus medos vençam. Não deixe que o tempo pare. Não deixe que a incapacidade dos homens me fadigue. Iansã me carregue com sua força e que qualquer partícula de seu axé me ganhe. Me leve, leve. Me possua. Me tenha, me ganhe, me tome. Faça com que seja saudável, sereno. Menos hostil, mais provocante. Simples, corajoso, enriquecedor. Que por mais que todas as aparições e decisões sejam difíceis, a suficiência da força seja sempre maior. Faça com que eu vá. Que ninguém me impeça de ir e que as forças que me rodeiam sejam capazes de me fazerem voar. Que a alegria mutua me mova. Que os sorrisos sejam sempre alavancas e as lágrimas motivos. Desculpa alguma será capaz de ser menos do que quero, do que almejo, do que protesto.
E assim vamos. Vem?

domingo, 14 de abril de 2013

One day

- E aí, o que aconteceu?
- Eu conheci você e você me curou de você.

- Eu amo você Dex, me desculpa. Mas acontece que eu não gosto mais de você.

- Eu não quero seu telefone, nem cartas, nem cartões. Eu não quero casar com você e não quero filhos com você. Não importa o que aconteça amanhã, a gente teve o hoje.
E se a gente acabar se cruzando alguma hora, no futuro... Ah! Vai ser bom também.

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Vão

Escolhi você. Mesmo não me escolhendo. Te quis. Mesmo não me querendo. Desistiu. Mesmo enquanto eu tentava. Não ouviu. Só quis te escutar. Escreveu. Só quis ler tuas linhas. Fotografou. Meus olhos apenas te seguiam, serenos. Quis, tentou, bateu, gritou. Estanquei. Vadiou. Vadiei. Precisou. Estive. Beijou.
Relatou. Orei, orientei. Precisei, estive. Está! Ficou, pedi que ficasse. Gostou de ficar. Me levou. Eu vou. Fui, fomos, estamos a par, em par.
"Eu quis te dar um grande amor, mas você não se acostumou. Você gosta do sereno e meu mundo é pequeno pra lhe segurar. Vai procurar alegria, fazer moradia na luz do luar."

E daí... 



Amei por mim. Amei à mim. Amei. E quando virou amor, deixou de ser.
Matou borboletas em meu esôfago, prontas para voar contigo.
A morte chega à todos, morte prematura é doída, porém, querida... Melhor morto, que matando!



Nunca quis, entender. Gosto do teu gosto, gosto do teu olhar. Que me olha, e ah como olha! Sempre olhou. Me viu dançar, me viu cantar, me quis como ninguém, da sua forma. E ah! Perdi. Pá.

"Deixa eu decidir se é cedo ou tarde. Espera eu considerar. Enquanto eu penso, você sugeriu um bom motivo pra tudo atrasar. E ainda é cedo pra lá, chegando às seis tá bom demais. Deixa, deixa o verão. Deixa o verão pra mais tarde...
Considere toda hostilidade que há da porta pra lá. Enquanto eu fujo, você preparou qualquer desculpa pra gente ficar, e assim a gente não sai, que esse sofá tá bom demais. Deixa o verão pra mais tarde."


Não tem fim. Porque finais são chatos e sabemos nossa disposição pra recomeçar.
Já peguei meu par.
Vem?

quarta-feira, 6 de março de 2013

A(mar)

Deveria ser como poço. As vezes funda demais, as vezes rasa. Vez ou outra vazia, transbordo.
Como alguém pode em um dia tirar tudo de mais belo que têm aqui nesse poço, aí nesse poço, e ir embora? Assim, embora. Como se não houvesse profundidade. Como se fossemos sempre secos.
Têm dias que não acredito em como as coisas caminham, e não penso, apenas vivo.
Não é assim que se vive? Deixando o tempo curar? Pois bem.
Vez ou essa, me pego lembrando de pequenos detalhes, desses que só vimos por estarmos com o olhar fixo e a mente longe.
Explique para mim, assim. Como podemos nos encantar e acreditar que algo possa nos completar? Podem? Ué...
Amar. Ah, mar! Último domingo Iemanjá veio conversar comigo, meio desatinada, sem levar nada de mim, disse que é, assim. Tudo que é doce demais, acompanham nossas lágrimas para salgar.
Zeus nos fez assim, querendo que encontremos a metade da alma.
Quero entender, explica pra mim.
Como um sorriso, o jeito de olhar, o carinho que o cheiro faz em nosso olfato, pode ter tanto poder sob nós? Não sei se é justo.
Que seja assim, sereno, por todo o sempre.
Toda a minha vida pautada em amores que tive ou gostaria de ter.
Veio, cruzou minha vida, tocou minha alma e ficou marcado em minha pele.
Todos nós carregamos conosco uma história, aquela que só nos atrevemos a lembrar quando a noite, no escuro, encostamos nossas cabeças nos travesseiros e o silêncio cala fundo. Não importam os anos, certas coisas simplesmente permanecem.
E em uma madrugada quente de uma quarta-feira qualquer, percebemos que talvez alguns estopins sejam a referencia mais sincera e profunda. Não é doença e nem obsessão. Aliás, não é nada, só amor.
Que alma consegue atravessar a vida sem ter conhecido o amor, e quem sabe ter a sorte de ser correspondido?
Que vida vale a pena sem amor?
Nenhum sentimento é mais lindo, profundo e transformador que o amor.
Só amor transcende e purifica, enlouquece e cura, invade e permanece, liberta e aprisiona. Quando acontece, é um som grave que invade, penetra e permanece.
Não compliquem, nem elaborem. Permita que ele chegue e se instale, porque o resto são bobagens meninas, bobagens.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

Telekinesis

Não que esteja feliz, nem triste, muito menos nostálgica.
Não que seja meu dia mais inspirado de todos.
Não que eu queira mostrar pra vida algo mais bonito que têm de ser.
Não que você vá permanecer aqui, ainda lendo.
Não que faça sentido tentar.
Não que...
Não que eu ainda queira mostrar que estou feliz.
Não que felicidade seja algo contável, delicado.
Não que tristeza exista.
Não.
Que raro seria.
Que-ro ver.


Quem te quer em outra não sou eu, és tu.
À cada dia vivo e tenho a certeza concretizada de que todos - sem exceção - aparecem em nossas vidas para nos ensinar algo.
Naqueles dias que tu não saíres para ver a cor que trás o dia, deixaste para trás o sorriso mais bonito que o carteiro tinha, o sorveteiro não te deixara levar fiado um picolé de limão com gelinho escorrendo na embalagem. O jornaleiro não ouviu teu timbre roco perguntando o horário, não olhou o relógio, assim não percebendo que esta manhã, o mesmo estaria ainda pousado onde o deixou ontem, antes de ler o livro, no criado-mudo, do lado direito do abajour, aquele que deixa o quarto meio azul-meio verde. O motorista do ônibus não olhou tuas pernas ao subir. O cobrador não procurou a nota mais nova pra tuas mãos não sujar. Aquela moça que te esperava a sentar, foi embora sem os dedos em seu cabelo escorregar.
São sorrisos, picolés, amores inconcretizados, mesmo que momentaneamente.