sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Vive enfim, enfim.

Estava a assistir televisão agora pouco e me peguei pensando... Há tanto tempo não escrevo cartas de amor... Decidi que hoje escreveria, ou ao menos tentaria começar algo do tipo.
Óbvio que nos últimos tempos, claramente tem sido minha inspiração. Mas cartas de amor vão além desses sentimentos modestos, são impressões sem meias palavras de algo forte e único.
Eu poderia falar sobre qualquer detalhe seu, mesmo sem ter descoberto nem trinta por cento dos seus encantos. Talvez seus encantos só existam por conta disso.
Geralmente quando saio de casa faço sempre o mesmo ritual.
Escolho alguma roupa qualquer, tomo banho ouvindo Lenine, Maria Rita, Ana Carolina e Seu Jorge. Coloco a roupa ainda ouvindo música, as vezes danço, sempre canto e solto algumas risadas sem nexo. Vou na varanda ver qual casaco levar de acordo com a cor do céu, escolho a bolsa e troco tudo de uma para outra. Coloco meu celular no bolsinho de dentro da bolsa com o fone para fora, levo eles a meus ouvidos e escolho a playlist que tem mais Lenine que as outras. Por falar nisso, preciso organizar meu cartão de memória, se eu ouvir 50 das 380 músicas que há nele já é muito...
Passo pela sala, abro a porta e a fecho rapidamente, desço cantando (os vizinhos devem pensar: "Lá vai a Raysa!").
Saio do prédio, cumprimento com o olhar os policiais da guarita e geralmente vou para a Lins de Vasconcelos. Passo pela loja de animais desviando das pombas e geralmente nem respiro ou olho aquelas galinhas do Largo do Cambuci.
Na frente do ponto de ônibus tem uma loja de bijus, dou uma olhadinha e nunca gosto de nada. Nada me agrada mais que as coisas da minha mãe, ela tem tudo que eu preciso e muito mais. Olho para o céu se o ônibus não está a vir. Passo os olhos pela propaganda da Net e dou um sorrisinho por lembrar das piadas das minhas amigas. Troco de música três ou quatro vezes até chegar em alguma mais animada. Fico imaginando as caras que faço querendo cantar, mas me seguro na maioria das vezes. Devo ser meio doidinha, né? Não canto nem Emilia nem Amélia...
Subo no ônibus e quando vejo estou quase passando do ponto.
Não gosto de comer besteiras na rua então geralmente chego em casa ainda com os fones, largo a bolsa, tiro o fone do celular e vou pra cozinha. Abro a geladeira, não acho nada. Abro o armário e pego qualquer coisa mais fácil de comer. Vou pro quarto, deito por cinco minutos e já pego meu Notbook. Dou uma olhadinha rápida em tudo enquanto a Tv já está ligada no mudo e meu celular do meu lado esquerdo do sofá. Ligo pra mamãe ou acabo adormecendo alí mesmo. Independente do meu destino ou quantas horas fico fora, não é nada muito mais emocionante que isso. As vezes a porta de casa abre e é a Mi, as vezes o inbox do Facebook lota com vinte, trinta pessoas me procurando e a preguiça fala mais alto. As vezes se preocupam com a minha saúde ou minha alimentação, ou não. As vezes eu penso em te procurar, as vezes sempre. Mas não vou... Sou daquelas: Se o telefone não tocar é que ela não quis ligar, então nem pense em ligar.
Da mesma forma que tenho minha rotina e meus hábitos, todos têm os seus, acho que devemos respeitar. Preguiça de pessoas não é ruim, é só um momento com si mesmo. Tenho a oportunidade de escolher o silêncio de um apartamento vazio ou mais mil vozes unidas à minha nesse mesmo. Posso colocar o som no ultimo volume com uma música que só eu gosto e a ouvir mil vezes seguidas, dançar, rodopiar, andar sem roupa ou com o cabelo horrível. Posso passar o domingo de pijama ou dormir às cinco da manhã sem ninguém no meu pé.
É claro que faz falta um barulho, ou dormir de fones por sua amiga estar ocupada com alguém no quarto ao lado, ou nesse mesmo domingo de pijama não poder dormir até mais tarde por ter alguém que acordou cedo e resolveu limpar a casa. Faz falta mas a vida é feita de fases, cada uma com sua extrema importância e eu vou vivendo simplesmente.
Não vejo a hora de ter alguém para incomodar com minhas loucuras e meus barulhos todos, convivência é uma piada. As vezes com graça, as vezes sem ela mas com muito nexo, basta você saber interpretar da melhor forma.
Era pra ser carta de amor... Mas não deixou de ser, me amar anda sendo doce.

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Sobre canecas e chá.

Nada muito além dessa necessidade de colocar sentimentos no papel.
Existem pólos marcantes, como o ser e não ser. O querer e o deixar ir. O precisar e o refugiar. O admirar e o confiar. Todos com ligações claras entre si.
Quando se tem algum tipo de relacionamento afetivo, de certa forma está se entregando aquela situação. Confiar. Num beijo você está fazendo exatamente isto, se refugiando por precisar daquele afeto, mesmo momentaneamente. Se te agrada vira querer, se já confiou vira admiração. É apreço, seja pele ou paixão. Não deixa de ser. O que deixa é o tempo, o poderoso te usa. Usa teu sentimento, usa tuas vontades. Admiração pode virar indiferença, assim como indiferença pode virar paixão, só o tal Tempo decide isso, você perde o poder de auto-confiança que te sacia ao se envolver à um outro alguém. É impossível controlar, mentir a si mesmo é algum mérito? Você mente até quando substitui pessoas ou momentos dentro da sua rotina para apagar aquilo que por um acaso não foi como desejaria. Acaso? Destino? Não, lógica.
Você está propício a se apaixonar, amar, desejar. Seja uma fruta ou uma mulher, é inconsciente.
Inconscientemente ela toma conta do seu pensamento, quantas vezes hoje você pensou nela? Enquanto lia, quem veio à sua mente? Está vendo? Nem pôde se controlar.
Visão, audição, tato, paladar e olfato.
Me agrada te ver sorrir, te ouvir cantarolar. No teu abraço me sinto mais confortável que todos os outros já experimentados. Teu gosto, tenho gosto. Teu cheiro é o perfume mais doce, chega a me confundir.
Quando se está apaixonado se perde o rumo, o prumo, o eixo.
Admitir é o que dói, acordar e dormir pensando. Beijar outras, tocar corpos perfeitos, só desejando o seu que por mais imperfeito que pareça aos olhos dos outros, aos meus é o mais lindo que já tive a oportunidade de enxergar. Fechar os olhos enquanto toca no rádio alguma música calma, as envolvendo completamente e quando se vê com os olhos marejados cai em si que não, aquela bonita não é quem deseja, teu pensamento te enganou.
O que é isso? Apesar de entender, não aceito.
Será que valeu a pena? Já me confundes novamente.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Assim será melhor, meu bem

Temos a propensão de nos apaixonar por pessoas que espelham aquilo que admiramos, seja nossos familiares ou alguém que nos traga paz de espírito.
Pensando assim, sem dúvidas tudo é claro.
Escrevo para ninguém. Ninguém entende, ninguém lê, assimila ou leva contigo essas cartas de amor vazias. Vazias por não existir pretexto, não existe nada além de você. Você é motivo disso. Preciso de um apoio para me levantar e focar tudo, uma distração, um amor irreal.
A vida é uma eterna inconstância incabível.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

O Sol ensolarará a estrada dela, a Lua alumiará o mar


Sem formalidades, sentimento puro, transparente.
Quando vi uma foto sua pela primeira vez minha impressão foi das melhores. Um sorriso largo e dreads.
Recomeçando, talvez não consiga dizer tudo. Quando dói, ao contrário do comum, as palavras me fogem, mas prefiro que seja agora, assim.
Você perdida entre o Salim e o Banco do Brasil.
Eu e minha mãe andando pela Lins de Vasconcelos atrás da bonita perdida.
Já chegou gargalhando e eu muda, analisando cada detalhe.
Minha mãe decidiu por mim, era você. E eu ainda estática pensando: "Será que ela fuma ou me aceitará ou.. que gênio forte, que menina parecida comigo."
Alguns dias depois aqui estava suas malas no quarto da parede verde.
Você sozinha aqui por alguns dias enquanto eu viajava. A porta soltou alguns ruídos e eu no quarto cantando, como sempre.
"Oi... Oi, tudo bem?
Você fuma?
Preciso te contar uma coisa... Eu namoro uma menina e estou no telefone cantando pra ela....
AH MEU DEUS, TUDO BEM!!
Já venho aqui falar com você.."
Olhando assim, nosso primeiro dialogo não foi dos mais propícios.
E foi assim o começo do laço mais lindo já existente na minha história.
Você sentada na mesa da cozinha, trabalhando. Me ensinando um pouco de arquitetura.
Seu namorado, uma grande parte de você convivendo comigo na sua ausência.
Uma balada gay, eu na área de fumantes conversando sobre Aristóteles, Platão, sobre como o mundo pode ser melhor e mais bonito e você pensando: "MISENHOR RAYSA SAI DAÍ E VEM DANÇAR PELO AMOR DE DEUS", e eu não paro de falar... nunca.
O primeiro jantar. O primeiro desabafo. Você extrapolando seu horário de ir deitar por não conseguir parar de conversar comigo. O primeiro e único Karaokê, e eu ausente.
Mandy, Julio, Amanda, Marina, Samantha, Pretinha, Santos. EU E VOCÊ. Nós, finalmente.
Algumas brigas para alimentar esse sentimento.., O que seria de nós sem elas? Sem nossa sinceridade? Sem nossos momentos.
Lembra a primeira vez que o Julio se ausentou e você ficou chateada? Lembra? O sofá-cama aberto, cerveja e nós conversando sem parar.
Foi o seu primeiro "Eu te amo"; "Não vou embora sem você, te levo junto pra qualquer canto"; "Afinal de contas foi bom ele não ter vindo, podemos ter um momento nosso"; "Sempre quis uma Companheira de Apartamento para dividir momentos assim"; Lágrimas; O primeiro abraço apertado, sincero, inteiro. A primeira vez que chorei na sua frente com esse assunto de se ausentar da minha rotina.
Cynthia, você teve que partir...
Me disse inúmeras vezes o quanto as "lésbicas" não sabem lidar com esse sentimento de posse.
Mas a questão não é essa, não hoje, não mais.
Você já me viu chorando? Sem queixo tremendo, falo sobre desabar. Desde quando virei as costas naquele aeroporto eu estou desabada. Fui até a Avenida Paulista, ia entrar e ler na Fnac para ver se melhorava, mas não. Simplesmente fui e voltei. Entrei aqui e desviei das caixas suas por entre a sala.
Você já sabia que seria assim, né? Eu também...
Palavras me faltam, virei reticencias, virgulas, sem um ponto final.
Você é a única pessoa no mundo que me conhece, sabe todas as minhas fraquezas, sabe sobre meus gostos, sabe exatamente qual é meu tempero, a cara que faço quando me maquio, o que faço quando estou apaixonada. Os comentários que faço quando vemos TV, sabe que bato na perna quando não consigo parar de rir, sabe que te respeito, sabe que te admiro. Sabe porque meu pé está sempre sujo e quantas vezes tomo banho. Sabe qual meu perfume preferido, sabe do amor à minha família, mais que eles inclusive. Conhece meus olhares, sabe quantas latas são necessárias para que eu fique alta e sabe também que não sou sua companheira de bebedeiras. Sabe o que faço quando estou irritada, estressada, feliz, ansiosa. Sabe qual é meu lenço preferido, minha calça apertada ou mais velha. Sabe quanto eu peso e quanto quero pesar. Sabe que não como direito, alias, se não fosse você eu nem comeria... Sabe que tomo salmonela por preguiça. Sabe que sou perfeccionista e que quando decido arrumar a casa ela fica perfeita. Sabe que eu era explosiva, e como sabe... Sabe o quanto eu mudei pra muito melhor em um ano e meio, fazendo essa explosão sumir. É a única que sabe o que eu fiz e como estava com a notícia do falecimento do meu avô. Quando todos da família choravam em um canto, foi você que me atendeu e me abraçou mesmo com seus problemas, inúmeros. Sabe que eu vou te dar todos os conselhos, os melhores que existirem. Você sabe que eu manjo de pessoas e que vejo maldade em tudo, mas prefiro acreditar que o mundo fútil está lá fora. Sabe das minhas paixões, sabe da mais intensa e sabe a que mais fui boba. Sabe dos meus arrependimentos, sabe sobre meus estudos, meus planos, minha ambição. Gosto quando me ouve quando quero fazer minhas contas e gastos futuros. Abre meus olhos, me ajuda por todos os lados possíveis. Tão amiga, tão intensa, tão real.
Liberdade, Ubatuba. Temaki e aquela vista... Meu melhor aniversário.
Teve carta de amor, teve carta de amigo, teve abraços de ex colegas de trabalho e eu permanecendo muda.
Você me fez sair do fundo do poço, me fez voltar a ir em exposições, ao meu querido Maracatu. Sempre lembro de nós dançando na sala. Eu sempre lembro de tudo. Você está impregnada em cada canto dessa casa. Na cozinha é ardida, no banheiro é vaidade, na sala é alegria, no quarto é molesa e em mim é apreço.
Sua irmã foi... O meu também. Eles tiveram que seguir o rumo deles, entende? Agora que descarreguei tudo por entre essas linhas posso dizer de coração: VAI, VAI SER FELIZ. Vai, quebre a cara e levante com essa sua força incomparável quantas vezes for necessário, mas acredito que serão poucas. Confio em você. Somos iguais e não é o fim do mundo... Que seja uma vez por mês, um telefonema onde só eu falarei sem parar, desligarei e te ligarei em seguida perguntando: "E os gatinhos?" HAHAHAHA
"Cara, eu te amo pra caralho."
É isso aí, irmã, amiga, mãe, é isso aí e lá vamos nós.
E não pense que eu fui por não te amar...
Elis, Chico/Caetano mandou um beijo e fica QUIETINHA.