terça-feira, 31 de julho de 2012

À Graça


Corra enquanto há tempo.
À Graça. De graça. Por graça.
Engraça. Do meio fio à porta do terreno vazio.
Três passos largos, bem dados, doados.
Vazio, pleno, viril. Mal, maluco, oco.
Torto, torna torta perna morta.
Antiga, amiga. Alma penada, esfria.
Te adoro, te alimento, te como, me sacio.
Frio, destreza. Destro, completo.
Aguardo, ainda almejo mas não mais refresco.
Sem nexo, pretexto, contexto.
Amar, alegrar, saciar.
Apenas penas, asas, voar.
Voador sereno, calmo envelhecedor.
Cheiro, testa, suor.
Acabar, fitar, tombar.

Correr por achar graça do ser vazio parado que cresce em suas loucuras doadas pelos caminhos tortos seguidos sem direção, uma mão, um ombro se vai a cada dia que vira passado. Prazer por entre pernas finas frias da canhota do Bordel lascado. Completar-se almejando o contexto pré-fabricado onde amar é criar asas e saciar é aprender a voar. Calmaria das rugas lamentadas, cheiro de suor escasso. Termino continuo fitado pelo tombo dos desesperados.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Um pouquinho de saúde

Ansiedade, entusiasmo, nostalgia, insegurança.
Segurança, vergonha, medo.
Alegria, frustração.
Tristeza.



Mais fácil desistir, não?




Acabou de solidão...

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Esplanada, livre.

Será que eu terei filhos? Se eu tiver a sorte de descobrir o verdadeiro e mais puro sentimento, prometo lhes avisar sobre mulheres.
Cuidado. Elas amam e desamam. Olham e desejam, pedem e refrescam.
Te deixam cegos… Te cegam de suor e vontade, te cegam de algo chamado paixão. Dilacerantes e profundas, te deixam secos de tanto sorrir. Mas partem antes de serem deixadas.
Leve isso pra ti, aprenda a partir no momento certo, assim jamais deixará, afinal, de ser e fazer feliz. Quem dera eu, ter sido avisada desta dádiva que é ter uma mulher de verdade e completamente entregue. Talvez se eu pudesse… mas não.
Sei, friamente, que no final te desejarei por apenas não ter tido. Cada parte do meu corpo já implorou tanto que a falta de anseio me deixou muda.
Muda, será eu após altas gargalhadas que logo daremos juntas. Ficarei muda, te olharei, respirarei fundo. Pegarei teus dedos com pontas roídas e a beijarei, delicadamente, assim como por encanto, ainda se faz a mais bela. Mas amor, virou um incendiário apreço que me fez, te fazer puro amor.
Eu mais madura, navegando nas ondas do teu encantar.
Tua vida é ao Pôr do Sol e te esperarei em todos eles. O amarelo do horizonte encontrará ao fim, teus olhos Azul Royal. Azul é o céu que te banha e cobre de paz, pelo universo que já conquistou. Suas mãos são únicas e maravilhosas. Ao meu inocente ver, donas do melhor carinho e prazer. Não me enganas mais.
Te aguardo, embaixo da árvore média, entre as Pitangueiras e Amoreiras, sentada com uma pequena caixa ao meu lado esquerdo.
Meu coração será sempre seu.
Nossos caminhos irão se cruzar e… "Largo tudo se a gente se casar domingo, na praia, no Sol, no mar. Ou num navio a navegar ou num avião a decolar, indo sem data pra voltar. Quem vai sorrir, quem vai chorar?
Ave Maria! Sei que há uma história pra sonhar."
Pra sonhar…

terça-feira, 17 de julho de 2012

Sunset

Como é bom ter alguém que se preocupe com você, alguém que ame seu jeito de arrumar o cabelo, ou sua cara de sono diante do trabalho após uma noite longa com ela. Alguém que te cuide, te aguarde, te aplauda. Alguém que goste de você do jeito que é, sem querer mudar-te. Que não sinta ciúmes, que confie em você, que se entregue à seus braços numa cama ou no alto de uma montanha. Alguém que pegue sua mão, te coloque em seu colo e fique ali estática junto a ti perante o pôr do Sol. Alguém que ame as estrelas, que deite no telhado contigo, mesmo numa noite congelante, e aguarde com o olhar fixo as estrelas cadentes, para quando a primeira cair trazer junto um véu que as cobre de apreço. Poder olhar nos olhos e ter a certeza que o único pedido feito nem precisou ser pensado, automaticamente as duas desejam apenas que aquele momento eternize.

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Chá bar


Não quero a ausência de borboletas aqui. Não posso deixar de sentir, é como se tivesse tornado uma comoda sensação de bem-estar. Bem, está aqui em cada canto. Tenho esse hábito de associar músicas à pessoas. Como vou lidar com esse fato de te ouvir a cada nota? Se eu fizesse um samba, minha preferida seria tu, o pandeiro que treme suavemente. Se decidisse Blues ou Jazz, seria o trompete que me arranca um sorriso tonto ao passar por mim unido a teu perfume. Caso eu mude e decida um Rock, as baquetas e o estridente do prato seriam teu coração batendo por nós. MPB? Meus dedos dançariam por todo seu corpo, meu violão.
As caixas de som as vezes soltam ruídos rocos. Danço por entre os tecidos esticados do teto ao chão, os raios de Sol do entardecer entram pelas frestas. Suavemente deixo com que todos eles toquem meu corpo me fazendo flutuar.
Vou te arrancar da mente onde se estagnou e reservar um pedaço calmo e sereno para ti, alí no canto. No canto mais macio e preservado do meu coração.
Uma multidão poderia me fitar. Mas apenas uma saberia que tenho um sorriso reservado, um coração doce e mãos que chamam para dançar e girar girar girar. Meus poros transcendem.
"E esse seu jeito de falar. Cantar, dançar, olhar pra mim... Viver é não ter que transplantar."